A cesta básica ficou mais cara em todas as 27 capitais brasileiras em março de 2026 — é a primeira vez desde o início da pesquisa ampliada, em agosto de 2025, que isso acontece de uma só vez. Segundo o DIEESE, o salário mínimo necessário para uma família de quatro pessoas deveria ser de R$ 7.425,99. Isso equivale a 4,58 vezes o piso atual de R$ 1.621. Se você é trabalhador CLT e sente que o salário não acompanha os preços, os números confirmam: entender como seu salário é composto e o que pode ser descontado é cada vez mais importante.
Quanto custa a cesta básica mais cara em 2026 — dados por capital
São Paulo lidera como a capital com a cesta básica mais cara do país: R$ 883,94 em março de 2026. Mas o cenário é de pressão generalizada. Veja as capitais com os maiores custos:
- São Paulo — R$ 883,94 (comprometeu 58,95% do salário mínimo líquido)
- Rio de Janeiro — R$ 867,97
- Cuiabá — R$ 838,40
- Florianópolis — R$ 824,35
Nas capitais do Norte e Nordeste, onde a composição da cesta é diferente, os menores valores foram registrados em Aracaju (R$ 598,45), Porto Velho (R$ 623,42) e São Luís (R$ 634,26). Mesmo assim, todas subiram.
As maiores altas mensais ocorreram em Manaus (+7,42%), Salvador (+7,15%), Recife (+6,97%), Maceió (+6,76%) e Belo Horizonte (+6,44%). No acumulado de 2026, as variações vão de +0,77% em São Luís até +10,93% em Aracaju.
Salário mínimo necessário: R$ 7.425 — o que esse número significa
O DIEESE calcula mensalmente o chamado salário mínimo necessário — o valor que, segundo a Constituição, deveria cobrir alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência de uma família de quatro pessoas.
Em março de 2026, esse valor chegou a R$ 7.425,99. Em fevereiro, era R$ 7.164,94. E em março de 2025, R$ 7.398,94.
Ou seja: quem ganha um salário mínimo gasta quase metade só com comida — e ainda precisa pagar aluguel, transporte, luz, água e tudo mais com a outra metade.
Por que a cesta básica está mais cara em 2026
Três produtos puxaram os preços para cima em praticamente todas as capitais:
- Tomate — subiu em todas as cidades, com altas de até 46,92% (Maceió). Chuvas prejudicaram a colheita e reduziram a oferta.
- Feijão — alta generalizada. O carioca subiu até 21,48% (Belém) e o preto até 7,17% (Florianópolis). Dificuldades na colheita e menor produção na segunda safra explicam a pressão.
- Batata — aumento em todas as cidades do Centro-Sul, com destaque para Vitória (+22,24%). Chuvas atrapalharam a colheita.
Carne bovina de primeira também subiu em 23 das 27 capitais, impulsionada pela demanda aquecida, exportações e menor reposição de bezerros. O leite integral ficou mais caro em 20 cidades devido à entressafra.
A boa notícia — embora pequena: o açúcar caiu em 19 cidades, graças à projeção de oferta elevada no Brasil e em outros países produtores.
E quem ganha mais que o mínimo — também sente o impacto?
Sim. A pesquisa do DIEESE usa como referência o salário mínimo, mas o aumento dos alimentos afeta todos os trabalhadores. Se você ganha R$ 2.500 ou R$ 3.000, a proporção do salário comprometida com alimentação também cresceu — porque os preços subiram para todo mundo.
A comparação com março de 2025 nas 17 capitais com série histórica mostra alta em 13 cidades. Os maiores aumentos anuais foram em Aracaju (+5,09%), Salvador (+4,51%) e Recife (+4,38%). Apenas Brasília (-4,63%) e Florianópolis (-0,91%) tiveram queda.
Conhece alguém que está apertado com os preços no supermercado? Manda essa notícia — os dados concretos ajudam a entender o que está acontecendo e cobrar providências.
O que fazer para proteger seu orçamento
- Compare preços entre mercados e feiras — a variação entre estabelecimentos pode chegar a 30% nos produtos que mais subiram (batata, tomate, feijão)
- Substitua quando possível — o arroz caiu em todas as 17 capitais com série (até -38,56% em Belém). Equilibrar o prato com alimentos em queda ajuda
- Confira se seu salário está correto — verifique se há descontos indevidos no seu holerite. Todo real conta
- Conheça seus direitos — se for demitido ou passar por redução de jornada, confira quais benefícios você tem direito
O que você precisa saber — resumo
- A cesta básica subiu em todas as 27 capitais em março de 2026 — pela 1ª vez na pesquisa ampliada
- São Paulo tem a cesta mais cara: R$ 883,94
- O salário mínimo necessário deveria ser R$ 7.425,99 (4,58× o piso atual)
- Quem ganha um mínimo gasta 48% da renda só com alimentação
- Tomate, feijão e batata são os vilões — chuvas e safra curta explicam as altas
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